Então... esse é um espaço para divulgação de eventos, oficinas, experiências, shows e apresentações que acontecem de iniciativa popular nas periferias e que não são divulgadas por aqui e por aí! Movimentações underground alternativas e picicordélicas!!
Yabá mandou pra Ialorixá
o seu adjá
Do ventre chão dessa terra mãe
fez brotar Emí
Abrindo os caminhos para fecundar a união
Africamerindia
Nanã, Iasã
Oxum, Iemanjá
Abrindo os caminhos para fecundar a união
Tem mocoróró carimã no ajuçá
ceci airumã.
Oraiêiê
As Yabás com seus mantos de estrelas
Entoam cânticos, loas, louvores
Curando magoas e os dissabores
Oraiêiê
A preta velha cozendo a Jurema
Resmunga loas Nação Iracema
Maracatu seu batuque em cena.
Há dois anos atrás um grupo de pessoas se reuniu com uma vontade doida de fazer teatro sem muita burocracia de que assuntos discuti ou não. Então surgiu o Coletivo Muquifo que vive até hoje. Gente que acredita que pra fazer teatro de rua não precisa de muitas coisas... Somos artistas de rua, da nossa rua. Não vamos ao centro e praia mendigar nossa arte. Vamos la quando precisamos trabalhar. E fazemos teatro nas nossas ruas de periferias e sertões.
Tentativas que precisam ser inventadas de coletividade. No coletivo não é só flores, tem as pragas no meio do jardim. Mas catamos as pragas para que a gente possa florir. Nos negamos a deixar pra lá. Já que fazemos teatro e música então queremos com aquilo que acreditamos. Coletivos em si.
O Reisado desse ano começou na Comunidade do Feijão, que fica depois do Tancredo e antes da Globo. Lá quem articula as casas aonde a gente vai tocar é a D. Angélica, que participa interruptamente desde 1991. Às vezes ela diz que não vai por causa da idade e diz que está doente e triste, mas sempre vai e tira o Reisado no maior número de casas possíveis. E fica por demais feliz.
A Comunidade do Feijão sempre gera a nossa expectativa de que seja o lugar onde vamos tocar em mais casas e aonde é um pouco cansativo por ser em uma subida grande. Nesse ano a chuva quase nos atrapalhou como no ano passado, mas não choveu muito forte, apenas serenou. Nesse ano nós tocamos em 40 casas.
Foto: Leonardo Sampaio
Ao final o Ricardo queria que fossemos tirar reisado na casa da Rosângela, namorada dele, como uma surpresa pra ela, como serenata de amor mas infelizmente não deu certo porque a casa dela não era tão perto. Pela manhã a D. Angélica ligou e disse que toda a Comunidade gostou e parabenizou dizendo que querem mais no ano que vem.
O PICI FAZ PARTE
DA MINHA ANCESTRALIDADE
DESDE QUE MINHA TIA-AVÓ
A "IRMÃ DE CARIDADE"
QUE NÃO ESTAVA SÓ
E QUE SÓ FAZIA BONDADE
INTERCEDEU JUNTO COM OS PADRES
PRA AJUDAR A COMUNIDADE
DOANDO OS TERRENOS DA SANTA CASA
PRO POVO FAZER A SUA MORADA
E VIVER COM PROSPERIDADE.
Faleceu nesta madrugada na Fumaça a D. Branca, avó do nosso amigo José e uma das moradoras mais antigas do bairro. Ontem quando passei para ir à casa da Micinete encontrei a D. Nete indo pegar o sopão que a D. Branca fez pela última vez como promessa para São Francisco. A comunidade estava feliz com isso. Desejamos força à família e muito axé pro José.